Na Psicologia:
Dentro dessas explanações já arquitetadas e disseminadas ao mundo, existem aqueles que dizem ter a religião surgido de uma “ilusão neurótica”, que tem sua origem 1) no complexo de Édipo (que é o conjunto de desejos e sentimentos estabelecidos no inconsciente humano, os quais são decorrentes na fase fálica, período, que segundo Freud, acontece o desenvolvimento psicossexual infantil (entre 3 e 6 anos de idade). Essa é a época, conforme é detalhado no complexo de Édipo, que a criança tem atração sexual pelo indivíduo que a gerou do sexo oposto e simultaneamente busca competir com o genitor do mesmo sexo) e 2) no necessitar de um pai protetor. Ou seja, de acordo com essa vertente, a religião origina-se na busca do ser humano por lançar ou projetar (fazer a projeção) em algum ser, o qual lhe dará auxílio aos seus desejos contidos no inconsciente e aos seus medos constituídos na sua infância. Esse era o pensamento de Sigmund Freud, um psicanalista, que apesar de ser judeu era ateu.
Na Sociologia
Do ponto de vista sociológico, Karl Marx descreveu que a religião surgiu como um modelo de alienar as pessoas e consequentemente torná-las desatentas à realidade presente, que era (ou é) da “exploração econômica e da desigualdade social”. Portanto, a religião originou-se como “um produto ideológico e social” de uma sociedade enferma. Sendo a religião em sua funcionalidade, um pseudo medicamento para aliviar o mal e a dor decorrente de uma sociedade capitalista e um paradigma (status quo) de conforto ou consolo ao ser humano para que não houvesse mudanças sociais em suas vidas, mesmo que necessárias contra esse mal social (o capitalismo). Esse peudo medicamento vai ser por Marx chamado de “o ópio do povo”, ou seja, um remédio que alivia e paralisa o ser humano, o estacionando na miséria sem que ele lute contra ela, pois a eternidade (algo prometido pela religião) estava por vir, o que lhes fazia aceitar a permanência nessa vida de pobreza e opressão.
Na Antropologia
No conceito antropológico, o antropólogo Edward Tylor, dizia que a religião primitiva fundou-se na tentativa de dar explicações aos sonhos, à morte e a outros acontecimentos misteriosos. Para ele os humanos em seu início, designavam que cada coisa era um espírito ou uma alma. Isso implicaria na explicação de cada fato ocorrido, ou seja, a religião cumpriria apenas a função de explicar ao homem tal e tal fenômeno. Essa explicação é chamada por (Berkhof, 2012, p. 22) de “culto fetichista ou culto aos fetiches".
Ainda enveredando o viés antropológico, James Frazer, deu-nos a ideia de que a religião é algo evolutivo da magia. Nessa junção ou evolução, a magia teria como objetivo fazer o controle da natureza por meio de ritos e feitiços, já a religião teria como finalidade fazer o ser humano adorar seres sobrenaturais.
Outras Explicações
Mencionamos também, outras explicações concebidas pelo teólogo Louis Berkhof. Ele nos apresenta outras interpretações concernentes ao assunto:
A) Berkhof nos salienta que existem aqueles que dizem que a religião surge como resultado da “astúcia dos sacerdotes ou da artimanha dos governadores”, a fim de manter o povo cativo aos seus desejos e controle. Vemos aqui uma semelhança ao conceito apresentado por Karl Marx.
B) Tem também os que afirmam que “o culto aos espíritos” fora o pontapé inicial para a religião, isso teria surgido lá nos primórdios da humanidade.
C) Além do mais, temos aqueles que conceituam o culto a natureza. Eles dizem que isso começou quando o ser humano “sentiu-se fraco e desamparado na presença dos grandes e imponentes fenômenos da natureza e foi levado a cultuar esses fenômenos ou os poderes ocultos”.
D) E para fechar os apontamentos de Louis, ele ressalta que existem aqueles, influenciados pela teoria evolucionista, que asseguram que a origem da religião no homem constitui-se do “ser irreligioso para o ser religioso” (Berkhof, 2012, p. 22), isto é, o homem nasce destituído de qualquer desejo e sentimento religioso, sendo esses aspectos desenvolvidos nele ao passo do tempo, até apresentar a concepção ou concepções presentes no cenário social.
Sendo Assim:
Portanto, temos diferentes vertentes que explicam a origem da religião. Mas a pergunta é: “Será que coadunam com o que as Sagradas Escrituras dizem?” E a resposta é não. Pois elas explicam o surgimento da religião de modo superficial e humanista apenas, sem nenhuma direção de Deus.
E diante de tantas explicações, qual é a única mais satisfatória?
Vamos conversar um pouco sobre essa questão.
Não todas, mas comumente as explicações dadas referente a origem da religião, tem algo semelhante. E que semelhança seria essa? Elas buscam esclarecer ou explicar a conexão do homem com o transcendental (ou seja, com o Criador, com Deus). Mesmo que o homem negue, isso é notório. Como afirmou Langston (1999, p. 7).
Há sempre algo de verdade em todas as religiões. [Pois] têm todas elas alguma noção a respeito de Deus e das suas relações com o mundo, se bem que não tenham alcançado a verdadeira idéia da personalidade de Deus e das suas relações com a criação. Neste sentido, todas [essas] religiões são imperfeitas e têm enganado os seus adeptos, ministrando-lhes a verdade de mistura com o erro.
Para Langston, toda religião busca essa verdade, tendo provavelmente um pouco dela em si, mas infelizmente estão percorrendo o caminho errado. Mesmo que haja uma noção de um ser divino (isto é, de Deus) e da sua conexão com o mundo pulsando no coração dos seus adeptos, os corações e mentes destes estão embaraçados e confusos, pois não veem a verdadeira ideia da personalidade de Deus (não sabem de fato quem Deus é) e de sua relação com a criação, e a consequência disso é o engano e a tentativa de chegar a única verdade, mas nessa tentativa acabam adicionando fermento e levedando a massa, negando a verdade absoluta que é, o conhecer ao Senhor de forma plena e correta através da sua revelação especial. E criando para si uma pseudo verdade.
E essa “revelação especial de Deus pode nos iluminar quanto à origem da religião” (Berkhof, 2012, p. 23). Logo, entendemos que o fundamento para a explicação da origem da religião é Deus. Caso pensemos ao contrário, “a religião real sem Deus é inadmissível” (Berkhof, 2012, p. 23).
Portanto:
Vale ressaltar que nesse fundamento da origem da religião é o próprio Deus quem toma a iniciativa. As Escrituras enfatizam que o Senhor é quem dá o primeiro passo na busca pelo relacionamento com o homem. Ele não espera que a humanidade o descubra por intermédio da razão, da emoção ou das experiências, pelo contrário, o Senhor se revela diligentemente ao homem (Bíblia Sagrada JFA).
Vemos claramente isso em Gênesis 3:9, após a queda. Ali constatamos que o Senhor Deus chama Adão e pergunta-lhe: “Onde estás?”. Isso mostra a procura do Deus justo e íntegro pelo homem (antes puro) agora pobre e pecador. Ou seja, antes do desejo religioso pulsar no coração do homem, ele já fora estabelecido e efetivado muito antes pelo Senhor. Pois “é somente sob a influência da revelação especial de Deus e da iluminação do Espírito Santo que o pecador pode, pelo menos em princípio, prestar a Deus o culto que lhe é devido” (Berkhof, 2012, p. 23). Diante do exposto, podemos afirmar, que a origem da religião está exclusivamente no Senhor Deus e na sua divina revelação.
Referências:
BERKHOF, Louis. Manual de Doutrina Cristã. 2. ed. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2012.
BÍBLIA SAGRADA. João Ferreira de Almeida. Aplicativo Bíblia JFA. Disponível em: https://play.google.com/store/apps/details?id=com.bestweatherfor.bibleoffline_pt_ra. Acesso em: 27 nov. 2025.
LANGSTON, A. B. Esboço de Teologia Sistemática. 3. ed. Rio de Janeiro: Juerp, 1999.
Jailson Roseno Gomes:
Blog: teologiaeregeneracaoofc.blogspot.com
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